A Barragem da Marateca (Lardosa)...

pelo Núcleo de Intervenção Cultural de Lardosa

A Barragem da Marateca, a cerca de 3,5 Kms da aldeia de Lardosa pela estrada nacional 18 (Castelo Branco - Covilhã), é o maior lago artificial da Beira Baixa nas fraldas da Serra de S. Vicente e da Serra da Gardunha.

Com cerca de 35 Kms de perímetro, a sua superfície alagou uma grande porção de terras de cultivo e floresta de carvalho às freguesias de Lardosa, Soalheira e Póvoa de Rio de Moinhos, contando com a maior fatia a aldeia de Lardosa.


Concebida para fornecer água potável à cidade de Castelo Branco e algumas freguesias do distrito, veio a tornar-se a 'casa' natural de muitas espécies do reino animal e vegetal que encontraram aqui um lugar seguro para assegurar a sua sobrevivência. Tornou-se também num lugar de recreio e lazer para a população, não só da aldeia de Lardosa, mas de toda esta área geográfica que a envolve. A aldeia de Lardosa ainda tem vivido um pouco de costas voltadas para esta pequena jóia da Beira, o que não tem sucedido com outras povoações, nomeadamente S. Vicente da Beira, Soalheira, Póvoa de Rio de Moinho e outras, mostrando nas diversas actividades de recreio, estudo e outras um interesse e preocupação crescente na valorização deste tão importante espaço.

Imagem Por Satélite


1. Barrragem da Marateca
2. Cruzamento do IP2 (Castelo Branco-Guarda)
3. Aldeia de Lardosa


A Mina da Marateca, fonte de água que abastecia uma exploração agrícola próxima,está situada junto à casa do guarda da Barragem da Marateca. As suas paredes, com cerca de dois metros de altura têm-na protegido de possiveis desabamentos ao longo dos anos.
A fonte de água cristalina procurará saciar a sede aos passantes durante muitos e muitos anos, com uma pequena ajudazinha de todos...

A Marateca vista do ar


As óptimas condições oferecidas pela água das Ribeiras da Ocreza, Borralheira e Mioso, a frescura da Serra da Gardunha, logo ali ao pé, e intensos raios de sol fizeram do Monte de São José uma grande exploração agrícola. Esta propriedade rural deixou de produzir em finais da década de oitenta, com a construção da barragem da Marateca, sem porém ter deixado de contribuir para o sustento e bem estar das populações. Parte do monte ficou submerso pela água, e no alto do monte, o coração do solar do Monte de São José. O rústico imóvel erguido das rochas de granito sobreviveu À construção da barragem. A produção era diversificada, cereais, milharadas de sequeiro, feijão, vinha, azeite, queijo, leite, ovinos, caprinos, bovinos, cerca de 1000 cabeças de gado, uma vasta mata de carvalhos, produtos hortícolas, salpicavam cerca de 20 hectares de terra fértil. No Monte de São José permaneciam a tempo inteiro entre 15 a 20 pessoas, pastores, guardas do monte entre outros, aumentando para 60 ou 70 o número de indivíduos que na época das campanhas se deslocavam ao monte. A grande eira em rocha granítica junto ao solar servia para malhar o centeio, milho e feijão nos dias de vento. A produção do vinho do Monte de São José atingia entre 800 e 1000 almudes.
Dos inúmeros imóveis que rodeiam o edifício principal do monte encontra-se as cavalariças, a queijaria, a casa do forno, currais, casa do feitor e uma capela encaixada no interior do solar voltada para o jardim. O solar do Monte de São José é uma robusta e solarenga contrução em graníto. O altar em madeira pintada, na capela do solar, prolonga-se do chão ao tecto do edifício também ele em madeira pintada. Através da técnica da esponja a decoração do seu interior é no mínimo original, as paredes reflectem em tons amarelos e castanhos as cores do sol e da terra. hoje resta apenas o esqueleto do altar, e algumas cores na parede, que há bem pouco tempo viu a sua talha roubada e as madeiras arrancadas.
Fica a pergunta: O que fazer do Monte de São José?...



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